plutão

Shhhhhhhhhh…

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Shin é a letra que abre a Shemá, a oração judaica que começa assim: “Ouve ó Israel, O Senhor teu Deus é o único Deus…”. Shemá quer dizer ouça.

Já notaram como quando a gente pede pra alguém ficar em silêncio, costumamos emitir um “shhh”?

Ouvir nosso interlocutor – seja ele quem for – demanda silêncio – fazer com que ele nos ouça, também.

É curioso que em associações mais modernas Shin seja associada a Plutão (aquele que deixou de ser planeta segundo os astrônomos): pois a atuação desse planeta é silenciosa – a ponto de não desconfiarmos do senhor do submundo nem no meio da crise indicada por ele em nossos mapas. Embora eu já tenha dito isso antes, vale a pena recapitular: Plutão em latim quer dizer “rico” e a abundância é algo que advém do silêncio. Como o grande transformador do Zodíaco, Plutão retira as cascas superficiais que não mais servem para nada e expõe nossa riqueza escondida.
Mas eu quero voltar pro Shin.
Shin começa várias palavras em hebraico relacionadas ao silêncio: paz (shalom), tranqüilidade (shalvá), silêncio (sheket) e complacência (shaanan).

Para que tenhamos tranqüilidade, é preciso silêncio – não só o físico, mas o interno. Calar aquela vozinha que insiste em dialogar conosco o tempo todo certamente irá trazer a paz e a abundância de idéias produtivas.

Portanto, utilize a letra Shin em suas meditações, a fim de silenciar o diálogo improdutivo interno e curar forças de discórdia.

Plutão

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Plutão, a fonte de nossas riquezas, nosso potencial transformador. Um ponto tão pequeno e tão distante que até foi rebaixado do status de planeta. Tudo “culpa” de Éris, que teimou em aparecer e causar discórdia entre os astrônomos a respeito do que poderia ser considerado planeta ou não.

Enfim, essa discussão já cansou e eu acho um tanto quanto infrutífera. Em nada a maneira como nós, astrólogos, olhamos para Plutão vai mudar. Ele continuará regendo as mesmas coisas que sempre governou – nós é que continuaremos por um bom tempo ainda a querer varrê-las para debaixo do tapete.

Mas por que varreríamos as coisas plutonianas para debaixo do tapete? Simples. Muito do que se refere a Plutão ainda é visto como tabu em nossa sociedade. Esse planeta rege tudo aquilo que não vê a luz do Sol, tudo o que mantemos escondido, tudo o que nos é íntimo e – em última instância – precioso demais para mostrarmos. por aí. Plutão rege Escorpião, e a esse signo cabe a regência dos aparelhos genital e excretor no corpo humano. Não saímos mostrando nossos genitais por aí para qualquer um…quer dizer, nem todo mundo sai, apenas um tipo de pessoas às quais olhamos com horror – ou no mínimo um certo receio, ambos típicos de Plutão: as pessoas que se prostituem. A pornografia, que mostra os genitais de maneira explícita, é regida por Plutão.

Mas Plutão não fala só de sexo e perversões. Plutão fala de transformações, da área da nossa vida que está sempre morrendo e renascendo à maneira da Fênix, de onde podemos transformar absolutamente tudo em nossas vidas. Plutão fala de riquezas, especialmente as que provêm de minas subterrâneas (a mineração é plutoniana, embora os metais sejam associados a outros planetas) ou da perfuração do solo a fim de encontrarmos petróleo. De fato, o significado da palavra Plutão é riqueza. Mas atingir a riqueza de Plutão constitui um grande desafio. É uma árdua e hercúlea tarefa que traz morte e renascimento em seu percurso.

A fim de entendermos melhor essa jornada plutoniana, vamos dar uma olhada na mitologia de Plutão.

Quando Saturno foi destronado por Júpiter, a divisão do mundo foi estabelecida da seguinte maneira: Júpiter reinaria sobre os Deuses, no Olimpo; Netuno reinaria o fundo dos mares e Plutão reinaria o mundo subterrâneo e seria o encarregado das almas de todos os que já tivessem morrido. O nome de Plutão em grego – Hades – também é o nome dessa região subterrânea na qual se encontravam as almas. O Hades era cortado por alguns rios, que as almas deveriam atravessar. Eram esses rios: o Aqueronte – rio das dores; Cocito – rio das lamentações e gemidos; estige – o rio dos horrores e das águas envenenadas; Piriflegetonte – o rio de fogo e Lethe – o rio do esquecimento cujas águas deviam ser tomadas pelas almas para que se esquecessem de quem foram em vida. Os mortos deveriam ser enterrados de maneira apropriada e levarem uma moeda dentro da boca para que o barqueiro do inferno – Caronte – fosse pago. Se a alma pertencesse a alguém que não tivesse sido enterrado ou que não tivesse uma moeda na boca – era condenada a passar cem anos vagando pelo rio Cocito.

Então dessa maneira, Plutão vai acumulando riquezas através da dor e morte alheias. A ambição desmedida, que não vê freios em seu desejo de extremo poder, pertence a Plutão. Dizem as lendas que os gregos não pronunciavam o nome desse deus, com medo de que isso atraísse a sua atenção sobre eles. As ovelhas negras (símbolo da passividade, cordialidade) eram sacrificadas em nome desse deus – que, segundo Sófocles, se alimentava dos suspiros e lágrimas dos gregos.

Não há como barganharmos com Plutão. Ele não é um deus que abre ou faz concessões.GLifo de Plutão Sempre perdemos diante dele, pois seu poder é forte demais para resistirmos. Nada surpreendente para um deus que era temido e tido como “persona non-grata” até mesmo pelos outros deuses.

Após pagarem o barqueiro e passarem pelo rio Estige, as almas chegavam o portão do Hades, no qual havia um cão de três cabeças chamado Cérbero. Todas as almas saíam, mas as que tentavam escapar eram estraçalhadas pelo cão de guarda de Plutão. Os processos plutonianos são, portanto, viagens das quais não voltamos. Ao menos não do jeito que fomos. As riquezas de Plutão não são para qualquer um.

Constitui trabalho para uma vida inteira lidar com as questões plutonianas – mesmo depois de encontrarmos as profundas riquezas que ele nos reserva. Esse deus ganhou de presente dos Titãs um elmo que o tornava invisível, e a atuação de Plutão em nossas vidas tende a ser surpreendente. Quando menos esperamos por ele, ou mesmo quando temos a certeza absoluta de que dominamos nossos aspectos plutonianos, lá vem ele novamente e nos arrasta para seu mundo de trevas.

Sei que pareço fatalista, mas não há como brincar com Plutão. É uma energia com a qual aprendemos a conviver depois de alguns tombos bem doloridos.

Glifo do Plutão “superior”A riqueza plutoniana se manifesta num mapa natal como uma grande fonte de recursos. É aquilo que temos de mais oculto e profundo, e que pode ser de grande valia. Um exemplo disso é um Plutão de casa VIII que traz – entre outras coisas – a capacidade de trabalhar e curar (casa VIII/Escorpião) com pessoas que sofreram abusos ou traumas intensos (Plutão).

Esotericamente, Escorpião tem dois animais que podem representá-lo. Esses animais representam dois lados do signo: a serpente, que é a manifestação mais baixa; e a águia, ou fênix que é a sublimação da energia escorpiana. Curiosamente, Plutão é um planeta que tem três glifos.

O primeiro deles é a junção das letras P e L. Além de serem as iniciais do planeta, sãoGlifo do Plutão “inferior” também as iniciais de seu descobridor, Percival Lowell. No nível baixo do Plutão, em sua energia mais destrutiva e densa, temos o segundo glifo de Plutão: a meia-lua sobre uma cruz que por sua vez está sobre o círculo. Como cada elemento na composição de um glifo tem um significado, essa representação de Plutão fala da alma – o círculo – aprisionada sob a matéria (a cruz) e a carência, a falta, o desejo (meia-lua). Na polaridade construtiva e positiva do Plutão, encontramos a alma livre de desejos, sobre a meia-lua e a cruz, separada do resto, flutuando.

O mito de Perséfone traz outras informações acerca do simbolismo de Plutão…mas isso eu deixo pra outro dia, em outro post.