Esse mentiroso chamado Mercúrio Quinta-feira, 29 Outubro 2009
Posted by J. Roveda Jr. in Astrologia.2 comments
O primeiro livro que eu peguei em uma biblioteca na minha vida foi sobre mitologia grega. Eu sempre fui fascinado pelo tema e quando tive a oportunidade fui estudá-lo um pouco mais.
Só que além de mitologia grega, eu sempre gostei de quadrinhos (incrível que já perto dos 30 anos deixei de gostar deles tanto assim), a ponto de ter alguns personagens eleitos como favoritos. Quem me conhece e já conversou comigo sobre o assunto, sabe que na DC Comics o meu personagem favorito é a Mulher-Maravilha e na Marvel é o Demolidor.
Antes que alguém pergunte qual a relação entre quadrinhos, mitologia grega e o título desse post, eu explico: no começo dos anos 80, a Mulher-Maravilha sofre uma remodelação. Assim como o Batman e o Super-Homem, ela teve sua história re-escrita do zero. O responsável por desenhá-la foi o grande George Perez – que também assinou o roteiro por algum tempo.
Acontece também que a história da Mulher-Maravilha tem tudo a ver com os deuses gregos, de modo que o George Perez os redesenhou também. Do momento em que eu vi as representações do Perez para os deuses gregos, todos eles têm essa aparência na minha mente.

Então toda vez em que eu ouço falar em Mercúrio (o nome latino de Hermes), eu tenho a imagem do Perez na cabeça. Para quem não conhece mitologia grega o suficiente, Hermes é o de capa vermelha e um bastão com duas serpentes enroladas.
Hermes era o deus dos mensageiros, dos comerciantes e dos ladrões. Além disso era o mensageiro particular de seu pai Zeus (que aparece no topo da imagem com um manto azul). Astrologicamente falando, Hermes/Mercúrio fala sobre comunicação. Como falamos, como pensamos, de que maneira nos expressamos? Basta olharmos para o Mercúrio em nossos mapas e teremos a resposta.
A figura do Mercúrio é por si só controversa. Inclusive no Tarô, onde encontra correspondência com O Mago. Ele é ao mesmo tempo o Verbo Criador (daí o Mago ser o princípio Yang ) e o Senhor das Mentiras. É o raciocínio lógico e claro desafiando através de truques a lógica dos outros.
O deus da guerra Segunda-feira, 10 Agosto 2009
Posted by J. Roveda Jr. in Astrologia, Cabala, Kaballah, Kabbalah.Tags: árvore da vida, esferas, marte, planetas
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Embora eu já tenha escrito sobre outros planetas aqui, ainda faltam muitos. É engraçado que esses posts sobre planetas são geralmente tão espaçados que se eu não der uma busca pelo blog, não lembro do que escrevi. Pra dar uma mão pra vocês, eis aqui os links para os textos de Netuno I e II, Vênus e Plutão.
Dessa vez eu resolvi escrever sobre Marte, o deus da guerra.
Bem, lá no ensino fundamental a gente aprende que o Império Romano, que era muito militarizado, em um determinado ponto da história invadiu e conquistou a Grécia. Como os gregos eram muito mais avançados culturalmente, os romanos resolveram se apropriar daquela cultura e adaptá-la a seu povo.
Eu falo isso porque o equivalente grego de Marte – Ares – é geralmente desprezado ou mostrado como um Deus violento, enquanto em Roma ele era enaltecido. Essa quase dupla personalidade marciana encontra explicação no fato de que os gregos eram pensadores e os romanos guerreiros. Nos mitos gregos, Ares é semi-inútil, trazendo sempre alguma confusão, causando destruição, acompanhado sempre de Deimos e Phobos, o terror e o medo. Já para os romanos, Marte era muito mais celebrado, com festas dedicadas a ele e um mês do calendário – Martius, que virou o nosso Março.
Curioso é que antigamente se via o Marte astrológico muito mais como sua contraparte grega. Ele era tido como um planeta maléfico, e não por acaso seu lugar na Árvore da Vida é o Pilar da Severidade. De fato Marte era tão temido quanto Saturno.
O papel de Gueburah, a Esfera que corresponde a Marte é o de punir. É aquela imagem de Deus que destrói cidades inteiras no Velho Testamento, quando seus habitantes se “comportavam mal”. Essa Esfera também é chamada de Din, que quer dizer julgamento. Alguns textos apontam Gueburah como uma babá muito severa e rígida que foi deixada por Deus para tomar conta da humanidade: a cada deslize nosso ela nos dá uma lição. Essa Esfera tem atuação oposta a Júpiter/Hesed – que é a própria Misericórdia.
Hoje em dia, os atributos combatentes do Marte romano, suplantaram os atributos belicosos do Ares grego. Esse planeta já é visto muitas vezes com outros olhos e com o tempo passou a significar nossa disposição para a ação, nossa vontade, como conquistamos aquilo que queremos e como somos competitivos.
Para os homens, mostra como eles seduzem, conquistam, “pegam” suas parceiras. Para as mulheres, mostra o tipo de homem que as seduz, o tipo que elas acham interessante.
Só vale lembrar que nos dias de hoje homens se deixam seduzir e mulheres seduzem, flexibilizando um pouco a atuação desse planeta.
E o Ômega que ilustra o post é uma brincadeira com o deus da guerra: o jogo de videogame God of War usa essa letra grega como símbolo.
Limpeza espiritual Segunda-feira, 10 Agosto 2009
Posted by J. Roveda Jr. in Astrologia, Cabala, Kaballah, Kabbalah.Tags: caminho, coração, coragem, espiritual
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Eu escolhi a palavra acima pra abrir esse post porque acho que Hades (que é o que está escrito em grego aí em cima)/Plutão tem tudo a ver com limpeza espiritual.
Se eu tenho sido um pouco monotemático no assunto Plutão, há um bom motivo para isso: nas suas idas e vindas de Sagitário a Capricórnio, ele tem feito um trígono exato com meu Sol, de modo que eu tenha aqui algumas mudanças importantes acontecendo.
E como mudança me lembra limpeza espiritual…segue o post.
Muitos credos e sistemas enfatizam o coração como peça-chave no caminho espiritual das pessoas: o coração como a porta de ascenção entre mundos superiores e inferiores, o coração como aquele que lhe dá CORAGEM de mudar e encarar novas situações ou mesmo o coração como centro do amor universal, fraterno, entre todos os seres e todas as coisas.
Inevitavelmente, há um ponto do Caminho Espiritual que passa pelo coração de cada um de nós. O trabalho espiritual num primeiro momento tem de nos colocar em contato com esse coração, com nossas emoções há muito deixadas em segundo plano.
Toda e qualquer pessoa tem um coração puro em seu interior, e o que não deixa essa pureza, essa beleza se manifestar são camadas e mais camadas de sujeira que acumulamos ao longo dos anos
De fato é o coração a porta de acesso entre mundos. Se observarmos Tiphereth, na Árvore da Vida, entenderemos prontamente sua analogia com o órgão no corpo humano. Podemos então pensar que grande parte de uma limpeza espiritual vai agir diretamente em nossas emoções, abrindo caminho para que as forças espirituais possam adentrar a matéria através de nossas ações.
Mas isso requer um coração aberto e coragem para render-se à vontade do alto…
Hades (Plutão redux) Quinta-feira, 06 Agosto 2009
Posted by J. Roveda Jr. in Astrologia, Cabala, Kaballah, Kabbalah.Tags: planetas, signos, transformação
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O primeiro texto a respeito de Plutão pode ser lido aqui.
Esse post surgiu de uma visita a um site de Astrologia e da troca de e-mails com uma amiga. Eu fui dar uma conferida nos trânsitos importantes para o ano de 2009 e me dei conta de que Plutão oscila entre Sagitário e Capricórnio esse ano, retrogradando do segundo em direção ao primeiro e depois ingressando de uma vez em seu movimento direto.
Há um tempo atrás eu fiz o mapa dessa amiga e vi que ela tem o Sol a 0º de Capricórnio. Isso é importante porque ao redor desse grau do Capricórnio que o Plutão anda “sapateando” há algum tempo. Quando eu disse pra ela que “o bicho ia pegar” entre setembro e novembro, ela me perguntou se não haveria nenhuma notícia boa a me dar a respeito do Plutão.
(Eu já fui repreendido algumas vezes por sempre dar as notícias ruins primeiro ou só enxergar o lado ruim das situações.)
Ao que eu respondi que essa passagem de Plutão faria com que nenhum caquinho daquilo que é ruim atualmente sobre pra contar história. É como se a gente fosse submetido a uma escovada muito forte a fim de nos esterilizar, de nos livrar de todas as sujeiras e impurezas que nos impedem de seguir adiante.
De qualquer maneira, Plutão não é um planeta ruim – ao menos não totalmente. Se encararmos os planetas como representações físicas de energias existentes no Universo, vemos que é ele quem governa as funções regenerativas. Se nosso corpo se recupera depois de um acidente, por exemplo, isso é sinal de que estamos em harmonia com o nosso Plutão interno. O problema é que Plutão algumas vezes nos faz passar por uma situação mais grave a fim de que nosso mecanismo de regeneração se manifeste.
Acontece que para Plutão funcionar, é preciso que estejamos com nossos canais limpos, livres de sujeira emocional, mental ou mesmo espiritual. Por isso ele nos esfrega com uma intensidade tamanha: porque muitas vezes precisamos nos livrar daquilo que não está a funcionar, mesmo que tenhamos apego pelo que está morrendo.
A imagem é de Agostino Carracci: Pluto.
